[2000 palavras] Saiba tudo sobre estrabismo em crianças e como tratar

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O estrabismo gera diversos problemas no dia a dia da criança e pode até provocar cegueira se não for tratado. Ele se caracteriza por movimentos oculares não sincronizados entre si, o que motiva diversos esforços do pequeno para conseguir realizar as atividades cotidianas. O diagnóstico precoce é o melhor recurso para vencer esse quadro. Porém, muitas pessoas não conhecem os principais sinais da doença e têm muitas dúvidas sobre como esse problema de saúde dos olhos acontece. 

Conhecer melhor o estrabismo em crianças ajuda na adoção de uma postura de prevenção e atenção caso haja manifestação de alguns dos sintomas do acometimento. Os check-ups regulares são essenciais, assim como ter informações corretas sobre o tema. Quer entender melhor o estrabismo infantil, saber como a doença afeta a criança e conhecer as principais estratégias de tratamento? Confira nosso conteúdo especial e fique expert no assunto!

1. O que é o estrabismo em crianças?

Você já notou que os olhos, no geral, se movimentam de forma sincronizada? Porém, há um quadro no qual os globos oculares não têm esse sincronismo e cada um se movimenta para direções distintas. Essa condição é conhecida como estrabismo.

Quando ambos ou um dos olhos se movimentam para dentro, o estado é classificado como convergente ou esotropia. No caso de mobilidade para fora, é denominado divergente ou esotropia. Há também o desvio para fora e em vertical, conhecido como hipertropia. Há ainda outros tipos de estrabismo, o alternante, ou seja, o desvio varia de um olho para outro e o estrabismo intermitente, quando há desalinhamento somente às vezes.

2. Como o estrabismo afeta as crianças?

O estrabismo pode surgir nos primeiros meses de vida do bebê, quando a criança já é um pouco mais velha ou aparecer em momentos mais tardios, na vida adulta. Destacamos que, nos primeiros meses de vida, a falta de sincronismo no movimento dos olhos não é caracterizada como estrabismo, sendo decorrente do processo de ajustamento dos seis pares de músculos que operam em harmonia para o movimento ocular e para a saúde visual. Esses músculos são coordenados pelos nervos cranianos, esses que, por sua vez, se conectam ao sistema nervoso central.

Uma questão que pode ser derivada do estrabismo é a ambliopia, ou “olho preguiçoso”. Nela, o olho normal começa a tentar compensar a disfuncionalidade do olho estrábico. Assim, o olho estrábico deixa de ser usado e vai progressivamente perdendo a visão, pois a região do cérebro responsável pela leitura dos estímulos captados por esse globo ocular para de se desenvolver, até a visão ser perdida por completo.

3. Quais são as causas de estrabismo em crianças?

O estrabismo infantil pode apresentar diversas causas, entre elas, o enfraquecimento dos músculos que controlam a movimentação e a posição dos olhos. A alta dificuldade de ver de perto também pode gerar o problema, já que a criança realiza um grande esforço para enxergar, o que acaba provocando o desalinhamento dos olhos. Um dos olhos com baixa visão também pode originar o problema, já que o outo globo ocular tenta realizar um movimento compensatório.

Doenças neurológicas como Acidente Vascular Cerebral, traumas e paralisia cerebral, doenças genéticas como a síndrome de Down e outros acometimentos como catarata congênita, meningite, encefalite, diabetes e doenças da tireoide também podem ser fatores causadores de estrabismo infantil. Há ainda o fator genético, pois o histórico de estrabismo na família aumenta as probabilidades do desenvolvimento do quadro nos descendentes.

4. Como essa doença afeta o dia a dia da criança?

O estrabismo provoca diversos prejuízos no dia a dia da criança. Vamos explicar essas dificuldades mais detalhadamente a seguir. Veja mais!

Dificuldade de enxergar no cotidiano

A dificuldade de enxergar prejudica a rotina e gera obstáculos para a aprendizagem na escola. Uma criança com estrabismo vai ter mais dificuldade para ler, desenvolver a escrita e realizar atividades corriqueiras do colégio, tendo que realizar um esforço muito grande para o cumprimento dessas tarefas. Dessa forma, ela pode precisar de impressões e textos com letras maiores, além de apresentar alguns sintomas que geram entraves no cotidiano, conforme detalharemos mais à frente.

Diversos sintomas provocando mal-estar na rotina

A dificuldade de enxergar gerada pelo estrabismo provoca diversos movimentos compensatórios, que acabam desencadeando em dores de cabeça, torcicolo e um esforço muito grande para ver adequadamente. O resultado disso é muito mal-estar na criança, o que prejudica a rotina de brincadeiras, estudos e outras atividades. Por isso, a procura de especialistas é tão importante.

Dificuldade de interação social e discriminação

As pessoas nem sempre apresentam a maturidade necessária para compreenderem que a falta de sincronia entre os olhos é um problema de saúde. Assim, podem surgir zombarias e até falas ofensivas por parte de amigos, adultos e familiares. Isso provoca sentimentos de inferioridade, sensação de exclusão e baixa autoestima, o que prejudica o desenvolvimento e a saúde mental da criança. 

Dessa forma, é essencial fornecer o apoio necessário para o pequeno e explicar de forma acessível o estrabismo para a criança, para que ela entenda que não tem culpa por ter o problema. Além disso, é importante realizar exames e uma intervenção precoce para que não haja sequelas e a questão seja corrigida a tempo. 

Sofrimento psicológico causado pelas dificuldades de enxergar no dia a dia

As crianças têm diferentes temperamentos. Alguns podem reagir com calma os entraves impostos pelo estrabismo. Mas o desgaste gerado pela dificuldade de enxergar, pelas exigências do tratamento e pelas intervenções de colegas e outras pessoas pode gerar um estado de frustração, insatisfação, irritabilidade e cansaço.

Antes da situação ser diagnosticada, esse sofrimento é ainda mais pronunciado, já que há uma dificuldade difusa e que ainda não foi esclarecida. Dessa forma, é essencial oferecer apoio e ter alguma compreensão de que realmente não está fácil para o pequeno. Escutar e acolher as reclamações pode fornecer algum alívio. Além disso, se a criança concordar, procurar um psicólogo ou psicanalista para ela pode ser uma boa opção.

 Medo da doença

As crianças costumam fantasiar e ter medos irracionais. Diante de uma doença ocular e das dificuldades enfrentadas na rotina, elas podem ficar assustadas. Além disso, o fato de que, se não tratado, o estrabismo pode provocar a perda da visão no olho afetado pode ser um ponto de sofrimento e amedrontamento.  

Os tipos de tratamentos oferecidos para a doença podem incomodar também. Afinal, o tampão no olho pode ser visto como um empecilho, e a perspectiva de uma possível cirurgia ou injeção de toxina botulínica podem ser sentidos como grandes problemas. 

Por isso, o pequeno precisa de informações e esclarecimentos, além de muito apoio. Os tratamentos devem ser escolhidos de acordo com as pontuações do profissional e dialogando com o menor, para que haja mais clareza, motivação e tranquilidade.

Mágoas com o que as pessoas falam

Às vezes as pessoas falam coisas ofensivas, que marcam a criança de forma muito intensa. Por ser muito jovem, o pequeno ainda não conta com tantos argumentos e maturidade para se defender ou para filtrar os conteúdos que escuta. Isso pode resultar em marcas, na formação de complexos de inferioridade e até na redução da sociabilidade devido ao medo de sofrer bullying.

É preciso conscientizar a criança sobre o estrabismo, mostrando a ela que é um problema de saúde, que pode ser tratado e que isso não a torna inferior aos outros. Deve-se ter atenção também ao medo que o pequeno pode ter em relação à doença. Se houver tratamento adequado, o problema pode ser curado e não resulta em redução ou perda da visão.

5. Como identificar os primeiros sinais de estrabismo em crianças?

Os sinais de estrabismo em crianças são principalmente dores de cabeça, torcicolo, perda de profundidade na visão, ambliopia ou “olho preguiçoso” e movimentos de esforço para enxergar, como o fechamento de um dos olhos ou inclinar a cabeça. Destacamos que a diplopia ou “visão dupla” não acontece no estrabismo infantil. Isso acontece porque as imagens enviadas pelo olho estrábico para o cérebro passam a ser desconsideradas, gerando o desaparecimento da visão naquela área pela falta de desenvolvimento das células do local.

6. Como é feito o tratamento do estrabismo em crianças?

O tratamento do estrabismo pode ser feito de diversas formas, mas a escolha da terapêutica correta depende da indicação e orientação do especialista. Vamos explicar a seguir quais são os métodos utilizados e os cuidados com os olhos necessários. Continue acompanhando e entenda mais sobre o assunto!

Tampão

O tampão só pode ser utilizado até os 7 anos de idade, quando a criança ainda está completando o desenvolvimento ocular. Ele é colocado sobre o olho saudável, para que o olho com estrabismo seja estimulado. Assim, a musculatura ocular se fortalece, os nervos que coordenam esses movimentos são incentivados a operar e o olho passa a se movimentar com maior sincronia com o outro.

Óculos

Os óculos são usados nos casos de esotropia acomodativa, que é quando o olho aponta para dentro. Esse é um quadro que acontece quando o pequeno tem uma alta hipermetropia, ou seja, ele tem dificuldade em ver de perto. Assim, o esforço excessivo realizado para enxergar causa o desvio ocular. Com os óculos, a criança verá com mais facilidade e não terá que fazer tanto esforço visual. Assim, o desalinhamento ocular é corrigido.

Cirurgia

A cirurgia é um procedimento indicado somente quando os outros métodos não funcionam, apesar de ser muito segura. Nela, é feito um corte na membrana do olho, para a correção do músculo que não está operando de forma eficiente. Há também a modalidade de cirurgia denominada cirurgia de estrabismo minimamente invasiva, via fórnice, que realiza a correção com incisões de micro tamanho. No pós-operatório, a visão fica um pouco embaçada, mas esse é apenas um sinal da adaptação do corpo, sendo que o processo é muito tranquilo.

Toxina botulínica

A toxina botulínica é recomendada apenas para alguns casos, como aqueles em que uma paralisia muscular dificulta a movimentação do olho e gera o estrabismo. No processo, é injetada a toxina botulínica no olho que está em hiperfuncionamento. Dessa forma, os impulsos nervosos não chegam ao músculo e o outro olho passa a funcionar mais.

É bom destacar também que outros tratamentos podem envolver o uso de colírios e exercícios ortóticos para fortalecer os músculos do globo ocular com estrabismo. De toda forma, é essencial um diagnóstico precoce para uma melhor intervenção terapêutica.

7. Como o estrabismo em crianças é diagnosticado?

O diagnóstico do estrabismo em crianças é feito com diversos exames distintos. O primeiro deles é o teste do reflexo, para avaliar se o foco de luz, quando emitido nas pupilas, fica centralizado. O teste de acuidade visual, de oclusão e movimento do olho e de fundo de olho são úteis para avaliação do quadro e para definir qual é a amplitude do desvio.

Há casos também que não são estrabismo, quando a base do nariz é mais larga e a parte branca dos olhos, em conjunto, dão a impressão de que os olhos se desviam. O médico pode fazer uma avaliação adequada do caso.

8.Quais são os especialistas que devo procurar?

O estrabismo em crianças provoca muitas dificuldades no dia a dia e sofrimento para o menor, sendo essencial a realização de exames oftalmológicos periódicos para diagnóstico precoce e tratamento adequado. O profissional a ser procurado é o oftalmologista pediátrico. Para o diagnóstico da doença, pode ser que o médico encaminhe a criança para avaliações e exames de outros profissionais para uma melhor análise do caso.

O estrabismo infantil é um problema que gera diversos entraves na rotina do pequeno e pode trazer dificuldades para a aprendizagem e para a realização das tarefas cotidianas. O problema tem causas diversas e pode trazer diversos desconfortos devido ao esforço que a criança faz para conseguir enxergar adequadamente.

A melhor estratégia contra o estrabismo em crianças é o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo a doença for diagnosticada e tratada, mais efetivo é o tratamento. Por isso, os check-ups regulares no oftalmologista e em outros profissionais e a saúde preventiva são tão importantes.

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