Fake news coronavírus: guia completo para não acreditar em mentiras

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Com o intuito de alarmar e desinformar a população, várias fake news sobre Coronavírus têm chegado aos lares brasileiros, causando pânico e propondo tratamentos que não têm nenhuma eficácia comprovada, aumentando os riscos de contágio da doença.

Para convencer o público nas redes sociais, os autores das falsas notícias apresentam soluções e tratamentos como de autoria de um médico ou de uma enfermeira, incentivando que os conteúdos sejam compartilhados. Mas, na verdade, elas não têm nenhum embasamento científico e podem até mesmo ser perigosas.

Para ajudar você a identificar as fake news sobre Coronavírus, preparamos este guia completo. Acompanhe!

Disseminação de fake news sobre coronavírus

Os altos índices de disseminação de falsas notícias relacionadas ao Coronavírus, também nomeado de Covid-19, têm colocado em risco a saúde da população, pois até o momento, não existe vacina ou remédio comprovado para combater a doença.

É importante destacar que compartilhar informações falsas é um crime, pois pode colocar em risco a vida de milhares de pessoas. Mas, enquanto aqueles que produzem essas falsas notícias não se conscientizam, é dever da população tomar certos cuidados, a fim de evitar a propagação de falsas notícias.

Nesse cenário, verificar a fonte de informação e usar o senso crítico é fundamental para mitigar as fake news, já que, quando você compartilha uma notícia falsa, ela pode ser transmitida a muitas pessoas, o que também pode gerar pânico, a sensação de imunidade ao vírus e até mesmo a falsa esperança de cura.

Igor Sacramento, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz, e especialista em fake news sobre saúde, afirma que a população tem confiado muito em informações e discursos sem nenhum embasamento científico, o que é um fato agravante e que pode colocar em risco a saúde da população.

“São informações que não são baseadas em evidências nem na ciência, mas na experiência de pessoas que disseram que isso aconteceu, o que já é um indício de falsa notícia”, explica o especialista.

Ele ainda reforça que é muito alarmante quando a população acredita mais em correntes que circulam na internet do que em um especialista que pesquisou um assunto por anos.

Outro fator relacionado às fake news é que, além de confundir a população sobre a correta prevenção, as informações incorretas sobre a doença têm espalhado preconceitos.

Segundo o especialista e pesquisador, a sociedade vem passando por mudanças profundas, e na questão do Coronavírus, a doença tem revelado que estamos vivendo uma enorme desinformação, o que aumenta as chances de contágio pela doença.

Perigos de acreditar em fake news

O mundo vive hoje uma grande crise sanitária, e as fake news colaboram para que esse cenário se torne ainda mais perigoso. Com as falsas notícias, as pessoas podem entrar em desespero e tomar decisões equivocadas que podem prejudicar sua saúde, isso sem falar nos golpes, que corriqueiramente acontecem associadas a essas informações.

De acordo com o professor de Direito da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Luiz Carlos Correa, quem espalha notícias falsas também pode responder na justiça.

“No Brasil não há uma legislação específica sobre a divulgação das fake news. Entretanto, esta lacuna da lei não impede uma eventual responsabilização daqueles que produzam ou repassem essas notícias falsas, ainda mais quando são direcionadas a uma pessoa ou grupo específico, com o objetivo de prejudicar sua imagem”, relata o professor.

Correa ainda orienta que as pessoas que se sentirem vítimas de falsas notícias podem acionar a justiça para identificar e responsabilizar os indivíduos que criaram os falsos conteúdos, já que a divulgação de falsas notícias pode ser catalogada como crimes contra a honra (calúnia, injúria e difamação).

Dicas para identificar fake news

Todas as pessoas que recebem e transmitem informações são responsáveis pelo conteúdo que compartilham. Por isso, é necessário ficar atento, ler toda a informação, checar a fonte e usar o bom senso para distinguir o que pode ser notícia falsa da verdadeira.

Para ajudar você, separamos algumas dicas para distinguir fake news e notícias verdadeiras. Acompanhe!

Desconfie de mensagens alarmantes

Fique atento quando os conteúdos compartilhados virem com expressões como “Alerta! Atenção! Cuidado!”. Essa é uma estratégia para chamar a atenção das pessoas e incentivar um estado de alerta. Com isso, as chances dos leitores mais desatentos ficarem com medo e compartilharem a informação são maiores.

Use o seu senso crítico

Questione-se até que ponto a notícia recebida tem chances de ser falsa, principalmente se não citar fontes de referências confiáveis.

Apure se a fonte é confiável e se está explícita no texto

Notícias confiáveis sempre citam as fontes. É importante você checar essas fontes antes de transmiti-la a outras pessoas. Com alguns minutos destinados a pesquisas nos buscadores como o Google, você consegue validar uma informação e saber se ela é verdadeira ou falsa.

Verifique se são citados local, data e envolvidos. Essas informações devem estar claras no texto.

Leia toda a informação

Evite cair no erro de ler só a manchete. Leia a notícia completa para saber do que se trata. Assim, você poderá avaliar a veracidade da informação.

Pesquise em sites confiáveis

Verifique se a informação foi publicada em outras fontes com reputação idônea.

Observe o uso da norma culta

Fique atento se existem erros ortográficos, pois, normalmente, quem escreve conteúdos falsos não é fã do português.

Desconfie se pedirem para compartilhar

Pedidos como “compartilhe antes que apaguem essa informação” revelam um claro interesse de espalhar a notícia falsa. Por isso, você deve redobrar a atenção e checar em fontes confiáveis.

Cuidado com mensagens encaminhadas

Conteúdos que não foram escritos pelo seu contato, sendo simplesmente repassadas, com o alerta de rótulo “encaminhada” são destacadas para mostrar que o remetente não escreveu a mensagem para você. Elas aparecem em fotos, vídeos e mensagens de texto. Esse já é um alerta para você ficar atento à veracidade da informação.

Jamais clique em links

Mensagens que direcionam para sites pode ser uma armadilha para roubar seus dados pessoais ou confidenciais. Procure confirmar com o seu contato de onde veio o link.

Oriente as pessoas sobre as fake news

Todos nós temos uma responsabilidade social de divulgar somente fatos verdadeiros. Por isso, quando receber uma notícia falsa, fale para o seu contato por que o conteúdo não é verídico e ensine-o a pesquisar para validar as informações que compartilha.

Denuncie

Para inibir o compartilhamento de notícias falsas, as redes sociais já contam com botões de denúncia, que bloqueiam o conteúdo e ainda podem bloquear o usuário.

Na ferramenta WhatsApp, por exemplo, você pode denunciar o contato ou grupo. Para isso, abra a conversa, clique no nome do contato/grupo para abrir os dados do perfil, clique na opção “Denunciar contato” ou “Denunciar grupo”.

O WhatsApp tem recomendado para seus usuários que eles adicionem o contato do serviço de Alerta de Saúde da OMS (Organização Mundial de Saúde). De forma gratuita, a entidade responde as mais diversas dúvidas sobre o Coronavírus. Para ativar e utilizar o serviço, envie uma mensagem com a palavra “Hi” para o número +41 798 931 892.

Se você ainda tiver alguma dúvida se a notícia é verdadeira ou falsa, acesse sites de grande repercussão nacional, e o site do Ministério da Saúde para saber mais sobre o novo Coronavírus.

Exemplos de fake news sobre Coronavírus

Desde que o primeiro caso de Covid-19 foi anunciado no Brasil, em fevereiro, diversas mensagens de curas milagrosas, remédios e até vacinas têm circulado pela rede. Separamos as principais fake news de tratamento e cura para o Coronavírus. Acompanhe!

Água quente mata o vírus

Essa informação foi invalidada pelo Ministério da Saúde, já que a temperatura corporal do ser humano fica entre 36ºC. Ou seja, ingerir líquidos nas temperaturas sugeridas (entre 26ºC e 27ºC para matar o Coronavírus) não faria qualquer diferença.

Cortar as unhas impede o contágio

Cortar as unhas é desnecessário desde que seja feita a correta higienização das mãos, já que elas são as principais responsáveis pelo contágio e propagação do vírus, de acordo com o médico Richard Handschuh. “Ao lavarmos as mãos, é preciso esfregar as unhas também. Água e sabão são suficientes para matar o vírus”, lembra.

Vacina contra o Covid-19 foi descoberta

Ainda não existe vacina contra o vírus. O desafio de encontrar a vacina está no fato de que o Coronavírus sofre mutações constantes. No entanto, pesquisadores de todo o mundo ainda estão empenhados em encontrar a vacina para o combate à doença.

Vitamina D ou banho de sol

Outra informação encontrada com frequência nas redes sócias é que tomar banho de sol ou ingerir vitamina D pode matar o vírus. Mas, essa notícia é negada por médicos e pela própria Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso porque o Coronavírus é resistente à temperatura média do corpo – entre 36°,5°C e 37°C.

A OMS reforçou em comunicado oficial que “a Covid-19 se espalhou em países tanto de clima quente como frio”. Dessa fora, “independentemente de onde você vive, é importante seguir as precauções”.

Desinfetantes antibactericidas não têm eficácia contra o coronavírus

Nos Estados Unidos, epicentro da doença nas últimas semanas, uma falsa informação está circulando e afirma que “desinfetantes antibactericidas para as mãos não teriam eficácia contra a doença”.

A notícia é falsa, de acordo com o Centro de Controle de Doenças do país, já que lavar as mãos com água e sabão está entre as principais iniciativas para evitar o risco da doença na população de todo o mundo.

Urina e estrume de vaca pode curar o novo coronavírus

Na Índia, a vaca é um animal sagrado, e por lá é comum usar a urina do animal para fins terapêuticos. Bharatiya Janata, uma política governista, disse à imprensa local que as pessoas poderiam fazer uso da urina do animal, acompanhada de estrume, para se curarem do novo Coronavírus.

A receita foi descartada pela OMS, que ainda lembrou os riscos que a ingestão da mistura pode fazer ao corpo humano.

Cocaína protege contra o vírus

Na França, o boato sobre a cura do Coronavírus diz respeito ao da cocaína, uma droga altamente viciante. A repercussão dessa fake news foi tão grande que o governo francês precisou se manifestar em suas redes sociais para desmentir a história e reforçar que se trata de uma droga viciante, que causa efeitos colaterais graves, sendo altamente prejudicial à saúde das pessoas.

Vitamina C ajuda a prevenir o Coronavírus

Não existe comprovação científica de que a utilização de vitamina C, própolis ou qualquer outra substância seja capaz de prevenir o contágio do novo Coronavírus. Nesse sentido, os médicos recomendam manter uma alimentação saudável, que é mais eficiente do que se apegar a apenas uma vitamina.

Hidroxicloroquina combate Coronavírus

Apesar de a hidroxicloroquina fazer parte de testes para a cura da doença em vários países, ainda não existe, comprovadamente, um medicamento capaz de combater o vírus. Dessa forma, as autoridades de saúde recomendam não fazer uso do medicamento, já que ele também pode causar efeitos colaterais.

Aplicativo de telemedicina

Em tempos em que o isolamento social é a forma mais eficiente para combater o Coronavírus, a telemedicina tem ajudado muitas pessoas a terem acesso a médicos e diagnóstico.

Na telemedicina, o paciente se comunica com o médico por meio da tecnologia. Para isso, é preciso ter acesso à internet e a computadores ou smartphones. As empresas especializadas em saúde, como a VisionCard, conectam-se com o paciente por meio de chats online. Com isso, é possível que o paciente fale diretamente com o especialista e ainda envie vídeos e fotos.

Assim, é possível enviar exames, fazer diagnósticos, emitir laudos, prescrever tratamentos e acompanhar a evolução do paciente. Em épocas em que o isolamento social não é obrigatório, o ideal é que a primeira consulta com o médico seja feita de forma presencial.

A telemedicina é mais um suporte para que você tenha acesso à informação de qualidade, e que receba as orientações certas de acordo com o seu prognóstico.

Como vimos ao longo desta leitura, é possível combater a fake news de Coronavírus tomando alguns cuidados, como checar a fonte da informação, ler todo o conteúdo da notícia e usar o senso crítico. Além disso, com o recurso da telemedicina, é possível consultar o seu médico de confiança para tirar todas as dúvidas.

Se você gostou deste artigo sobre fake news e Coronavírus, compartilhe nas redes sociais para que mais pessoas tenham acesso ao tema!

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